quinta-feira, 24 de março de 2011

Encontrado no RS fóssil de espécie nunca antes catalogada


Fóssil com dentes de sabre de cerca de 260 milhões de anos foi descoberto em São Gabriel

Gustavo Azevedo
Uma descoberta inédita de um fóssil com dentes de sabre com cerca de 260 milhões de anos foi apresentada na tarde desta quinta-feira na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Os ossos do crânio de um terápsido — uma antiga linhagem de vertebrados que deu origem aos mamíferos extinta há milhões de anos — encontrado em março do ano passado numa fazenda da localidade de Tiaraju, no interior de São Gabriel, na Campanha, coloca o Rio Grande do Sul na vitrine científica mundial.

Segundo o coordenador da pesquisa, o paleontólogo Juan Carlos Cisneros, foi necessário um ano de pesquisa para comprovar que o material encontrado é especial por se tratar de uma espécie nunca antes catalogada.

Além disso, constitui o registro mais antigo de um herbívoro com dentes de sabre. Os pesquisadores batizaram a descoberta como Tiarajudens Eccentricus, uma nomeclatura que destaca os dentes fora do normal e também o local encontrado.

— O achado é o mais antigo de um terápsido que tinha a capacidade de mastigar. Os dentes de sabre eram mais comuns em carnívoros e não em herbívoros — explicou Cisneros.

A descoberta é tão importante que recebeu destaque na revista americana Science, tradidicional publicação da área cintífica. A pesquisa foi conduzida por cientistas da UFRGS, da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da University of the Witwatersrand, da África do Sul.
ZERO HORA

sexta-feira, 4 de março de 2011

Corpo poluído


Todos os dias, nosso organismo é exposto a milhares de substâncias químicas que colocam em risco a nossa saúde. Conheça alguns desses compostos nocivos, que podem estar presentes na natureza ou ser produzidos por indústrias sem que seus efeitos sejam totalmente investigados.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 03/03/2011 | Atualizado em 03/03/2011
Corpo poluído
O bisfenol A, os DDTs, os PCBs e a acrilamida são algumas das substâncias tóxicas normalmente encontradas no corpo humano. (imagem: Sofia Moutinho)
Talvez você não saiba, mas na sua corrente sanguínea provavelmente correm substâncias químicas tóxicas como o DDT e o bisfenol A. Basta comer, beber e respirar para que nosso organismo fique exposto a uma enorme variedade de produtos químicos naturais e artificiais. Mas quais são os riscos que corremos?
Nos Estados Unidos, o Centro para Controle de Doenças e Prevenção produz relatórios constantes de biomonitoramento da população para verificar as principais substâncias químicas a que as pessoas estão expostas.
O último estudo revelou que os estadunidenses têm altas concentrações sanguíneas de PFOA e Bisfenol A. O PFOA é uma substância artificial usada em antiaderentes, como o Teflon, que pode causar infertilidade feminina e distúrbios na formação da glândula mamária. O Bisfenol A é um composto presente em alguns plásticos – proibidos em países como o Canadá – que pode produzir efeitos adversos nos sistemas nervoso e reprodutivo, principalmente em crianças.
No Brasil, durante muito tempo, os DDTs foram amplamente usados em pesticidas agrícolas
Essas duas substâncias fazem parte da lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de compostos químicos de maior preocupação mundial atualmente. Também estão na lista substâncias que já são proibidas desde a década de 1970, mas que ainda estão presentes no meio ambiente e, por extensão, no corpo humano, como os bifenil policlorados (PCBs) e os dicloro-difenil-tricloroetanos (DDTs).
Os PCBs eram usados em tintas e equipamentos élétricos e hoje são encontrados em altas concentrações no oceano e em peixes. Já o DDT foi amplamente usado em pesticidas agrícolas e ainda contamina solos e águas.
No Brasil, não existe um estudo de biomonitoramento da população com a mesma magnitude da avaliação feita nos Estados Unidos. Mas sabe-se que, durante muito tempo, os DDTs foram amplamente usados em território nacional.
“Esses compostos eram considerados inócuos, mas hoje sabemos que eles atuam sobre o sistema nervoso central, causando alterações de comportamento e distúrbios sensoriais”, diz o engenheiro agrônomo e ambientalista Luiz Saldanha.
Alimentos
Os alimentos são fonte de contaminação por substâncias químicas nocivas artificiais e naturais, seja pelo contato com materiais como o Teflon, pela introdução de componentes químicos durante seu cultivo ou pela ação de fungos no armazenamento. (foto: David Lebrero/ Sxc.hu)
Segundo o químico Wilson Figueiredo, da Universidade Estadual de Campinas, o problema é que, atualmente, a produção de substâncias químicas artificiais e de efeitos desconhecidos é maior do que a capacidade de análise dos órgãos de regulamentação, que estabelecem limites seguros de exposição.
“Essa é uma realidade mundial: a indústria cria novas substâncias em uma velocidade impressionante e muitas delas não são testadas ou são testadas de forma incompleta e, mais tarde, descobre-se que não deveriam ter sido liberadas para uso”, aponta Figueiredo.
Somente nos Estados Unidos, 12 mil novos componentes são registrados todos os dias no Chemical Abstracts Service, espécie de biblioteca de produtos químicos.

Naturalmente prejudicial

Mas nem todas as subtâncias químicas que prejudicam a saúde humana e preocupam as autoridades científicas são introduzidas no ambiente diretamente pelo homem. Um exemplo é a acrilamida, que também está na lista de substâncias de risco da OMS.
Pesquisas suíças feitas em 2002 revelaram que essa substância – que pode causar câncer e, em certas doses, é tóxica para o sistema nervoso – é produzida naturalmente durante o aquecimento de carboidratos, encontrados em alimentos como a batata. Segundo o estudo, as batatas-fritas industrializadas são as que mais concentram acrilamida.
“Há algumas substâncias nocivas às quais o homem está exposto desde que se entende por homem”
“Há algumas substâncias nocivas às quais o homem está exposto desde que se entende por homem”, diz a toxicologista Eloisa Caudas, da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. “A diferença é que agora sabemos mais sobre elas”, acrescenta.
Outro exemplo são as aflatoxinas, substâncias tóxicas produzidas por fungos muito comuns em lavouras de grãos e que, em altas concentrações, podem provocar câncer de fígado.
Uma pesquisa realizada por Caudas em 2002 analisou cerca de 60 quilos de amendoins e derivados no Distrito Federal e revelou que 34,7% desses alimentos continham níveis de aflatoxinas acima dos permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Para minimizar os riscos à saúde associados ao consumo de substâncias tóxicas presentes em alimentos, a toxicologista aconselha que as pessoas fiquem atentas à procedência de frutas, legumes e vegetais antes de comprá-los. Mas ela afirma que, apesar de tudo, é melhor comer esses alimentos do que evitá-los.
“O risco à saúde sempre depende da dose a que a pessoa é exposta”, explica. “Você não vai ficar doente se comer um tomate com agrotóxico.”
A pesquisadora ressalta que o homem não tem como evitar totalmente a exposição a substâncias nocivas, sejam elas artificiais ou não. “O que podemos fazer é manter pesquisas sobre essas substâncias e conscientizar os produtores e indústrias para que a exposição humana a esses compostos seja reduzida.”

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line