quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O benefício da dúvida


Pesquisa revela desejo comum de diversos cientistas, filósofos e artistas: é preciso divulgar a ideia de que a ciência não é infalível. Para os pensadores, essa é uma maneira de aproximar os cidadãos de questões controversas do meio, como as discussões sobre as mudanças climáticas.
Por: Thiago Camelo
Publicado em 19/01/2011 | Atualizado em 19/01/2011
O benefício da dúvida
A dúvida representada pela interrogação. A certeza, pela exclamação. A ciência navega, ora incólume, ora com farpas, entre os dois extremos. (foto: Mister Kha / CC BY-NC 2.0)
Karl Popper, um dos filósofos mais influentes do século passado, apontou para o fato de que, para ser validada, uma teoria científica deve necessariamente ser confrontada, desafiada, falseada. Dizia que, do contrário, a teoria poderia se tornar dogma – e qualquer dogma, para Popper, seria terrível para a ciência.
Há relevância nos erros, incertezas e dúvidas
É curioso notar como o raciocínio de Popper vai ao encontro de um texto publicado pelo jornal britânico Guardian sábado passado. A matéria repercute uma pesquisa realizada pela revista eletrônica Edge, que faz, todo ano, uma pergunta para centenas de especialistas de áreas distintas com o objetivo de colher tendências. A pergunta de 2011 é: "Qual conceito científico poderia aprimorar a ferramenta cognitiva de uma pessoa?"
Artistas, cientistas e filósofos responderam a questão. Surpreendentemente, muitos deles destacaram a relevância dos erros, incertezas e dúvidas para a ciência e ressaltaram a importância de esses aspectos inerentes ao empreendimento científico serem melhor divulgados ao público não especializado.
A CH On-line procurou cientistas brasileiros para saber o que eles pensam sobre a questão levantada pela Edge e sobre as respostas apuradas pela revista até o momento.
"É realmente fundamental desmistificar o trabalho do cientista. A questão principal é que, ao pesquisar, você lida necessariamente com o desconhecido, então, é claro que há erros e dúvidas, é isso que nos impulsiona", diz  o físico Caio Lewenkopf, da Universidade Federal Fluminense (UFF). 
"Existem matérias que são intrinsecamente complexas, como, por exemplo, os modelos utilizados para mensurar as mudanças climáticas. Temos inúmeros indicadores de várias décadas e alguns cientistas divergem sobre essa questão", completa Lewenkopf.
O físico cita justamente um dos pontos colocados no texto do Guardian: assuntos controversos como mudança climática seriam menos polêmicos na esfera social caso fosse divulgado, com mais clareza, que a natureza da ciência comporta a dúvida.

Relativização

Osvaldo Frota Jr., físico e doutor em história e filosofia da ciência e membro do Departamento de Letras da Universidade de São Paulo (USP), faz coro. Para ele, mesmo os objetivistas, aqueles que tendem a não relativizar muito a ciência e a enxergam de modo positivista, sabem que a matéria que estudam é feita de dúvida.
"Mesmo quem não é um relativista ou, na antropologia e sociologia,  pós-moderno, sabe reconhecer que a ciência é calcada em incertezas", comenta Frota Jr.
“Dizer que a ciência é falível, no ponto de vista da filosofia da ciência, é uma trivialidade”
A conversa com um cientista social toca na mesma tecla, embora haja um estranhamento do teor da matéria do Guardian. "Dizer que a ciência é falível, no ponto de vista da filosofia da ciência, é uma trivialidade. Mas não tenho certeza se, de fato, a sociedade acredita que ela é infalível", afirma Renan Springer de Freitas, sociólogo que estuda temas relacionados à ciência na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Freitas afirma que sua visão de ciência é objetivista. Ou seja, ele acredita que a ciência traz consigo uma verdade. Uma verdade, no entanto, que pode – e deve – ser questionada.
"A ciência tem o privilégio do debate, da possibilidade de discordância. Isso, no entanto, não a coloca em xeque. Muito pelo contrário", defende o sociólogo.

Thiago CameloCiência Hoje On-line

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cão hermafrodita sofre cirurgia no Reino Unido

Animal de dois anos foi operado para retirada da genitália masculina

por Redação Galileu
Uma mutação genética incomum em um cachorro foi registrada no Reino Unido quando os donos do animal descobriram que o bull terrier havia nascido com os órgãos genitais masculinos e femininos.
Editora Globo
Dono do animal optou por manter os órgãos genitais femininos
O cachorro, batizado de Saira, atualmente tem dois anos de idade e sofreu uma cirurgia para ficar apenas com a genitália feminina. Seu dono, Jon Conchie, afirmou ao jornal britânico Daily Mirror que não fazia ideia que seu animal de estimação era hermafrodita até uma consulta de rotina no veterinário.
O veterinário Richard Weston, responsável pelo tratamento de Saira, afirmou que nunca havia visto um cachorro hermafrodita em mais de 30 anos de atendimentos. De acordo com o veterinário James Weston, filho de Richard, "Saira agora poderá viver uma vida normal e inclusive ter filhotes". A mutação genética é tão rara que não existem estatísticas sobre o fato no Reino Unido.

Fonte: Revista Galileu